MORDE ESSA BOLACHA zine

"melhor do que matar gaivotas com um tijolo"

[review] SLAVE ZERO – disambiguated visionary (2013)

# SLAVE ZERO - disambiguated visionary [2013]

SLAVE ZERO – disambiguated visionary EP
(Double Standard Productions – 2013)
www.facebook.com/slavezeroband

Alguma vez se sentiram fisicamente cansados depois de ouvirem um disco durante um determinado período de tempo? Um cansaço trazido, não por andarem a correr pela casa, exorcizando os vossos demónios através do poder catártico da música, mas uma exaustão oferecida pelas estranhas dinâmicas e padrões de ritmos com que são atingidos, minuto após minuto, enquanto coçam a cabeça e tentam adivinhar em que direcção seguirá o próximo compasso ou as restantes notas? Os irlandeses SLAVE ZERO são banda para vos provocar esse tipo de cansaço e isso não significa uma coisa má.

É um verdadeiro desafio acompanhar os cinco temas de “Disambiguated Visionary” sem nos sentirmos desorientados, procurando um apoio em que possamos repousar, um suporte rítmico que não seja atravessado pelos constantes recortes de Ben Wanders, que não segue mais que alguns segundos dentro do mesmo padrão sem que o inunde de avanços e recuos ao jeito do jazz mais livre ou da composição mais louca. Esta forma de emoldurar a música dos SLAVE ZERO parece, no entanto, fazer todo o sentido e facilmente vai ao encontro da vocalização de Graeme Flynn, um misto de ogre do death metal e agressor do grindcore.

Estes dois géneros parecem ser a base de onde surge toda esta panóplia rítmica um pouco menos convencional, mas os SLAVE ZERO acrescentam-lhe em complexidade e destreza, percorrendo paisagens sonoras que bebem tanto do moderno djent como do metal mais progressivo. Eles próprios estendem o leque de influências a uma distância ainda maior incluindo coisas que podem ir desde o hardcore à música clássica.

A verdade é que este EP será um desafio e tanto para alguns ouvintes, principalmente se o seu radar não contemplar o experimentalismo e o dobrar de limites que estes irlandeses tanto parecem apreciar. O risco que a banda corre em não seguir formatos facilitados pode acabar por compensar na medida em que tentam criar música que derrube conceitos. Conseguir levar-nos à exaustão pode ser apenas um bónus.

[análise e texto: Rui Marujo]

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This entry was posted on Março 16, 2014 by in REVIEWS and tagged , , , , , , , , .

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