# RAHU - the quest for the vajra of shadows [2014]

RAHU – the quest for the vajra of shadows
(Ahdistuksen Aihio Productions – 2014)
http://www.ahdistuksenaihio.com/

Segundo o que me diz a internet, Rahu é uma figura presente na mitologia hindu, responsável por engolir o sol e a lua, provocando assim os eclipses. É também o nome deste projecto de black metal finlandês formado pela dupla Atvar (guitarras e baixo) e Kobalt (bateria e voz)! Esta é a parte onde se deveria explicar o porquê desta abordagem ao hinduísmo, que não se fica pelo nome da banda, mas que se estende à presença nas letras criadas para temas como ‘Samudra Manthan’ ou ‘Kalas bleed for the Sun-Eater’, mas a informação relativamente a esta banda é escassa e o campo das suposições é demasiado extenso. Também é a suposição que me leva a crer que estamos perante a reedição de “The Quest For the Vajra of Shadows”, uma vez que este disco foi inicialmente lançado em 2012.

Serve para já o consolo de encontrar uma temática lírica que foge um pouco ao recorrente universo da grande maioria das bandas black metal desse mundo fora, principalmente as do Norte da Europa. Não deixam de ser imagens negras, de destruição e de abismos, mas o facto de explorarem esta mitologia é muito bem vinda! No mesmo sentido, sinto que deve haver uma referência ao artwork deste lançamento, uma vez que a profusão de cor utilizada não é de todo comum neste canto da música extrema. Mais uma vez, convenções que são deixadas para trás.

Quanto à música propriamente dita, o entusiasmo é refreado logo com ‘Ordeal of X’, o tema de abertura, que apresenta um tipo de produção que, apesar de ser bastante popular entre a comunidade black metal, apenas prejudica a experiência de atravessar estes cinco temas. Compreendo o desejo de uma banda ser vista como parte de uma cena mais raw, mas quando se recorre com tanta frequência a aspectos melódicos para enriquecer os nossos temas, não se pode confiar numa produção que transforma a grande maioria dos riffs de base em paredes de ruído, onde raramente se conseguem perceber as mudanças de notas. Talvez tenha sido esse mesmo o objectivo da banda, mas é algo que eu nunca vou conseguir entender. Fica a dica para os apreciadores do black metal que fica entre a crueza e a melodia, a dureza de processos e o plano astral da mitologia hindu.

[análise e texto: Rui Marujo]