A escassos dias da edição de 2014 do SANTA MARIA SUMMER FEST fomos medir a temperatura e calcular os nervos da organização deste festival que nos últimos anos tem vindo a dinamizar a cidade de Beja! Se no ano passado elevaram a fasquia com a presença dos britânicos Doom, este ano o patamar voltou a subir com o festival alentejano a ser encabeçado pelos lendários Extreme Noise Terror! O Vitor conta-nos tudo:

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[MeB] Estamos praticamente em cima da próxima edição do Santa Maria Summer Fest e para vocês, certamente, ainda haverá imenso trabalho pela frente, mas as expectativas são elevadas, não? Como estamos em termos de ansiedade?

[SMSF] Muita ansiedade, porque temos tudo idealizado mas existe um risco e investimento pessoal acrescido.

Fazendo uma análise retrospectiva, de que forma avaliam a edição anterior e que tipo de aprendizagem retiraram para preparar a edição deste ano?

De forma bastante positiva já que manteve ou aumentou a quantidade de público relativamente à 3ª edição, foi também a internacionalização do festival e logo com uma banda mítica como DOOM! Tentaremos corrigir e aperfeiçoar o que esteve menos bem; para nós isto é um processo continuo de aprendizagem, como tal todas as sugestões ou até mesmo criticas que nos sejam feitas são bem-vindas! Ficaremos satisfeitos se finda a 5ª edição a maioria do público notar melhorias, não apenas no cartaz e no som mas também em muitos outros aspectos relacionados com a organização, logística, acolhimento e condições para as bandas, festivaleiros e comunicação social; se de forma generalizada a opinião for positiva então para nós será mais uma grande vitória!

Os Extreme Noise Terror são um dos grandes nomes em cartaz para o SMSF 2014! Corrige-me se estiver enganado, mas a presença dos britânicos era uma ambição que já vinha de trás, certo? Depois dos Doom no ano passado, mais um nome com história, tem sido muito complicado chegar a estas confirmações?

Certíssimo, o nosso objectivo inicial, desde que conseguimos trazer cá os DOOM seria trazer a nata do Crust mundial que tem a sua base no Reino Unido, ou seja, DOOM, EXTREME NOISE TERROR e AMEBIX, mas infelizmente tal já não será possível na medida em que os AMEBIX estão inactivos! Quanto à dificuldade, inicialmente sim, mas contratar DOOM foi como que a ferramenta que nos conseguiu chegar a muitas outras bandas, incluindo ENT.

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Quais são as grandes dificuldades que encontram para elaborar um cartaz que vá ao encontro dos objectivos do festival? Para além dos problemas logísticos que, acredito, sejam mais difíceis de ultrapassar do que a contratação das bandas…

Muitas e variadas! A primeira, é tentar manter uma linha orientadora, ou seja, sendo o SMSF um festival eclético julgamos dever manter um fio condutor que lhe atribua uma característica própria, o que não é nada fácil; depois, como dizes, não é fácil agradar a todos e o facto de teres apenas uma banda de tradicional Heavy Metal por exemplo, num dia, pode não ser o suficiente para que os seus simpatizantes se desloquem, o mesmo acontecendo relativamente a outros géneros ou subgéneros; assim, tentamos tanto quanto possível manter o ecletismo, jogar com meia dúzia de grandes nomes do panorama nacional e internacional e implementar o elemento surpresa ou pelo menos diferente, “ressuscitando bandas” (All Emotions Day) ou promovendo a “criação” coisas diferentes (Triumphant Gleam), juntando um conjunto de outras boas bandas e assim encontrar o mixing ideal para criar o gosto nas pessoas e a vontade de vir; a tudo isto juntamos um palco secundário com sensivelmente 10 bandas, de entrada gratuita não só com a intenção de atrair pessoal mas também para manter o espírito inicial do SMSF cujo objectivo inicial e que queremos manter foi e é a promoção do underground nacional, permitindo que projectos de fora, do concelho e do distrito se possam dar a conhecer.

Quanto aos problemas logísticos, nem te conto! Para mais este ano será pior já que não teremos o apoio directo da Junta em termos de transportes e alguma mão de obra; para alem disto nem queiras saber como é complicado organizares um evento desta natureza, onde tens timings de médio/longo prazo para cumprir e as entidades que eventualmente te poderão ajudar simplesmente não acompanham o teu ritmo ou não te dizem nada. Por exemplo, comprámos os bilhetes de ENT e Rompeprop logo em Novembro porque estavam com um bom preço, sem saber sequer que tipos de apoio iríamos ter ou se iríamos ter algum apoio! Depois, estar dependente de terceiros é um autêntico inferno porque sabes de antemão que jamais terás tudo o que pediste, mas pior, estás demasiado tempo sem saber sequer se vais ter algo do que pediste! Não digo que é por mal mas as autarquias têm a sua própria agenda, têm que responder a diversas solicitações, apoiar demasiados eventos e é normal que nunca acompanhem o nosso ritmo, mas o importante é que no final o apoio seja o suficiente, o necessário e que tudo dê certo! A juntar-se a isto a falta de dinheiro, dai também nós termos investido com mais de 40% na realização do festival.

Considerando a actual dinâmica de apoios, conjunturas políticas locais e situação económica, que alterações significativas foram obrigados a implementar face à edição anterior do festival? Sabemos, por exemplo que, desta vez, a entrada não será gratuita…

Na sequência da ultima frase da questão anterior, realmente tivemos essa necessidade; constituímos a Associação Culturmais com o objectivo de dar continuidade ao festival, investimos mais de 40% do orçamento total do evento, como tal as entradas terão que ser pagas. Ainda assim quisemos manter o festival com as características de “low cost”, de “anti-troika”, pelo que o preço dos ingressos terá um valor muito baixo, tendo como único e exclusivo objectivo a recuperação do investimento efectuado, angariar fundos para a Associação e para a próxima edição e ainda apoiar a delegação de Beja da Cruz Vermelha Portuguesa, mas só que consigamos recuperar o investimento feito já ficamos satisfeitos na medida em que não há qualquer objectivo de lucro por detrás do mesmo mas tão só manter um evento que tem todas as condições para se afirmar e crescer, pelo que em boa verdade, para nós, este será o ano zero, o ano de todas as decisões e em que ficaremos a saber se o SMSF é para continuar ou termina com esta edição.

Para além da vertente musical, o Santa Maria Summer Fest também pretende alcançar alguns objectivos de consciencialização social! Podem elucidar-nos um pouco mais acerca deste trabalho?

Claro, sempre que pudermos, todas as nossas iniciativas terão um cariz social se bem que no ano passado no que toca aos bens alimentares não correu tão bem como desejariamos, por isso nesta edição iremos oferecer toda a receita da venda do café para a Cruz Vermelha, que muito gentilmente nos cede as tendas para instalar o merchandise; dessa forma, independentemente de haver ou não lucro a Cruz Vermelha ficará sempre salvaguardada e com a quantia apurada poderão adquirir algum equipamento ou géneros alimentares. Consideramos importante pois achamos que a música também pode e deve ser um catalizador direccionado para os que mais necessitam e através dela contribuir para atenuar o sofrimento daqueles que por infortúnio ou porque abandonados por esta escumalha que nos (des)governa sentem necessidades extremas, que passam fome e frio, que vivem no limiar da pobreza; na parte que me toca detesto promover a caridade pois o Estado deveria fazer a sua quota parte se bem que o Estado Social foi completamente aniquilado por estes vermes que estão no poder, pelo que temos que ser nós de alguma forma a atenuar o sofrimento de quem mais precisa Por outro lado serve para passar a imagem de que no “nosso meio” existe uma consciencialização social, que somos pessoas válidas, que se preocupam e contribuem para uma sociedade mais justa, acho que a música em geral e o metal em particular têm um papel importante a desempenhar nesta vertente.

Face às edições anteriores, de que forma avaliam o sucesso desses objectivos? As pessoas que vão ao festival têm consciência dessa vertente mais humanitária?

Como já disse, acho que na edição anterior poderia ter corrido melhor, talvez também porque nós não divulgamos de forma suficiente, não sei, daí esta edição ter o formato que indiquei e dessa forma sabermos que garantidamente o apoio será bem mais generoso e seguro.

www.facebook.com/santamariasummerfest

http://smsf-portugal.net/

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