Novo capítulo na nossa parceria com a publicação de alto gabarito underground que responde pelo nome Metal Horde Zine, aqui oferecendo uma visão mais detalhada ao estranho e bizarro mundo dessa máquina de Dance Grind que são os nacionais SERRABULHO! Uma banda que tem recebido elogios de toda a parte, graças ao seu espírito descomprometido mas, também, pela sua música e concertos energéticos! Os nossos interlocutores nesta conversa são o Paulo (guitarra) e o Guerra (voz)…

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[MH] Olá pessoal, como vai a vida?? Não me lembro de ver uma banda Portuguesa subir tanto ao palco como vocês neste último ano, gostam tanto assim de festa ou é pelos manjares?

[Paulo] Olaaaaaa, para já tá viva! (risos) Nem nós nos lembramos! Será Alzheimer? É subir e descer dos palcos, mas o gosto principal consiste em tocarmos, a festa e o convívio com público, bandas e organizações! E os manjares têm sido muito bons durante esta “Ass Tour-bles”.

[MH] Vamos lá começar pelas apresentações. Quem são hoje me dia os Serrabulho e o que é que cada um faz na banda…

[Guerra] Ora bem, somos uns “zés ninguém”, com a mania que temos uma banda de Dance Grind. Falando de coisas sérias, neste momento a banda encontra-se bastante coesa e estável desde que entrou o Guilhermino Martins pro Baixo e o Ivan Saraiva para a bateria. Entretanto o Paulo é o guitarrista original, continuamos a aturá-lo – coisa que não é fácil (risos) – e pronto, o mais calmo da banda sou eu, o Guerra – vou tentando ser o tenor principal e mandando uns grunhitos fofinhos.

[MH] Bem, como é que surgiu esta ideia que se chama Serrabulho? Foi durante um almoço? Quem é foram os responsáveis originais pelo início da banda? Qual foi o vosso objectivo quando criaram a banda?

[Paulo] O nome surgiu através do Guerra em conversa comigo, pensámos logo nas associações que o nome tinha com tudo o que nos envolve, a região, as tradições, a hospitalidade, simpatia, paisagem e um enorme pacote (podem associar ao rabo, sim) de características únicas da nossa zona.

[MH] Vocês tiveram algumas mudanças no line-up até que estabilizaram com o Guilhermino no baixo e o Ivan na bateria, como é que eles aparecem nos Serrabulho? Como é que se lembraram do Guilhermino para o baixo? Ou foi ideia dele?

[Guerra] Em primeiro nós lembramo-nos deles por serem bonitos e depois por não tocarem nada! Mas sim, estabilizámos bastante com a entrada de ambos e foi uma mais valia para a banda. Eu já tinha partilhado palcos com o Ivan e já sabia a peça que era, tanto como pessoa, como músico e lembrei-me dele como um bom ingrediente para o Serrabulho. O Guilhermino Martins era o primeiro da lista, foi convidado, mas estava a fazer-se de esquisito. Entretanto, ele desenrascou-nos nalguns concertos, curtiu a “palhaçada” e, depois de pedirmos 12 mil vezes, para não nos aturar mais, ele resolveu aceitar o convite e, pronto, tem sido a cereja que faltava nesta Serrabulhada. Juntos temos feito disto uma banda e, acima de tudo, mantida uma boa amizade, que já vem de há muitos anos. Estamos felizes agora!

[MH] Ainda se lembram de onde foi e como é que foram recebidos no vosso primeiro concerto? Como é estar em palcos normalmente rodeados de muito público?

[Paulo] Claro que sim! Nunca nos esquecemos de um único concerto até à data, todos eles são diferentes e cada um com a sua história. E o primeiro fica sempre na cabeça! Foi dia 5 de Novembro de 2011, no Birras Bar, na Covilhã, com Angriff. Um convite feito pela organização do Butchery at X-mas time. É sempre bom ter o público à nossa volta, eles sentem e transmitem-nos também alegria, boa disposição e uma enorme vontade de dar um concerto em crescendo.

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[MH] Aonde é que vão beber influências quando estão a escrever temas para Serrabulho?? Jig Ai e companhia devem ser mas e fora dessa onda?

[Paulo] Temos de tudo, e quando digo tudo é mesmo tudo! Sem dúvida que algumas influências vêm de bandas de grindcore, slam, mas também de death, rock e punk. Também não descuramos alguma música folclore, não só portuguesa, mas também europeia. Mas a forte influência vem de acontecimentos/situações que nós vivemos ou vemos a acontecer mesmo à nossa frente!

[MH] Entretanto em 2013 saiu o vosso álbum de estreia ‘Ass Troubles’ através da Vomit Your Shirt em colaboração com mais 2 labels, como viram o trabalho deles na promoção e distribuição de ‘Ass Troubles’? O facto de um desses labels ser a Sevared que tem um peso significativo no mundo do Death Metal abriu-vos algumas portas mais?

[Guerra] Abre sempre mais portas obviamente, sendo uma das editoras mais conhecidas a nível mundial, é sempre muito bom. Tudo neste álbum correu às mil maravilhas, todas as editoras e distribuidoras estiveram bem, cada uma no seu papel. Temos conversado com todas e sabemos por eles que tem tido um sucesso de vendas, visto ser uma banda “nova”. Nem nós estávamos a espera de vender tanto álbum em tão pouco tempo. Mas sim, as escolhas foram muito bem feitas!

[MH] Como têm sido as reações ao álbum? Estava o mundo preparado para o ataque dos Serrabulho? Fora de Portugal tiveram muitas reações?

[Paulo] Até agora muito positivas, mesmo quem não consome este tipo de música, mas que acaba por “provar” Serrabulho, dá-nos os parabéns e dizem que, sem dúvida, é um conceito bem trabalhado e que consegue sacar um pézinho de dança a qualquer um, acabando por se envolver na nossa festa! Prova foi no Milhões de Festa 2014, onde tivemos imensas pessoas a falar connosco após a nossa atuação, ou mesmo no SWR – Barroselas Metalfest deste ano, onde muito público de diferentes estilos musicais ficou rendido a Serrabulho.

[MH] O álbum foi produzido pelo Guilhermino, por isso como foi ele como produtor? Um tirano ou um gajo porreiro? No geral como correram as gravações?

[Paulo] Da minha parte (enquanto guitarrista/segunda voz) o Guilhermino, foi cinco estrelas! Por tudo. Compreensão, atitude, encorajamento, fácil adaptação ao som e ao formato que nós queríamos que o álbum tivesse, quando as pessoas carregassem no “Play”. Além de produtor ele também é músico, isso faz com que ele compreenda quem está sentado do outro lado. Conversar e trocar ideias com ele é meio caminho andado para que as gravações corram bem!

[MH] Quem é que escreve os poemas que povoam o vosso álbum de estreia? Os temas variam entre a língua Inglesa, a Portuguesa e a Francesa, é uma estratégia para chegar aos programas da tarde das nossas televisões?

[Guerra] C`est moi! Sim, obviamente que foi essa a estratégia. Aliás tínhamos até uma música que seria a Lèche Moi les Couilles marcada para o Portugal em Festa, mas apareceu-nos um casamento para fazer e como nos pagavam mais… No entanto, não faltarão oportunidades. Também temos estado ocupados a animar umas escolinhas primárias com o início de aulas.

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[MH] A boa disposição é uma coisa recorrente nos vossos concertos, nas vossas letras, vocês são uns gajos bem-dispostos? Acham que as bandas às vezes levam demasiado a sério este mundo em que vivemos?

[Paulo] Somos muito bem-dispostos e tentamos passar isso às pessoas que vão aos concertos, porque realmente sentimos essa energia e ela liberta-se quando vemos o frenesim do público. Pelo menos, eu vejo muitas bandas nacionais/estrangeiras demasiadas sérias, dentes cerrados, cara sem emoções em palco e pergunto: porquê? É-se mais profissional? Toca-se melhor? Lembro-me de, em 2010, ver Necrophagist na Alemanha, com o Guerra, e na hora do concerto a maior parte do público estava a ir pro acampamento, pensamos que eles tinham cancelado…perguntámos o que se passava e quase toda a gente dizia o mesmo “tocam muito, mas estarmos ali ou não é lhes igual. Não falam, não interagem…”. E não é que foi mesmo assim!!??

[MH] Portugal já foi corrido de lés a lés, Espanha já teve direito a alguns bailaricos, têm planos para ir além da terra de nuestros hermanos? Por exemplo o Obscene Extreme é a vossa cara completamente, gostavam de lá actuar? Como é que têm sido as experiências em Espanha?

[Paulo] Sim é verdade, já corremos bem Portugal e Espanha, também Itália, mas queremos ainda atacar partes onde ainda não fomos na Europa e Mundo. Claro que gostávamos de ir ao OEF, mas 2015 reservará algumas surpresas, estejam atentos!

[MH] Pelo menos 3 de vocês são de Vila Real, como é a cena por aí?? A nível geral como vêm a cena Portuguesa? O facto de termos alguns sítios como o Side B ou o Metalpoint, onde se faz concertos de Metal quase todos os fins de semana, ajuda a termos uma cena mais forte ou nem por isso?

[Guerra] A cena por aqui é muito da fixe man! A cena portuguesa também tá muito bem consolidada! Estes sítios ajudam a fortalecer a cena e valorizamos muito quem gere estas casas – por acaso são boas pessoas e bons amigos. É sempre um prazer tocar lá. Valorizo mesmo muito a força de vontade deles de manter a cena ativa. Eu já organizei eventos e sei como é isto. Acreditem que não é fácil.

[MH] 2014 já vai a mais de meio por isso o que têm reservado para o fim do ano e 2015? Mais concertos, novo álbum, tour mundial?

[Paulo] Neste momento estamos a terminar os últimos concertos de 2014, vamos recolher ao estúdio para dar atenção à gravação do nosso segundo álbum, que sairá no início de 2015. Temos umas datas já para o ano que vamos anunciar em breve. Quanto à tournée mundial não sei, mas europeia já vamos ter uma na época pascal, prestes a ser anunciada.

[MH] Bem malta, chegamos ao fim disto.. Bora para o bailarico mas antes deixem quem lê isto com as vossas últimas palavras famosas…

[Guerra] As palavras mais famosas são as do querer cagar e não poder. Em todos os concertos quase todos (risos) demonstram que estão com esse problema, pois até o dizem a cantar! Para toda a gente que nos apoia, tanto em concertos, como online, como a beber copos, deixamos um grande abraço e queremos agradecer por tudo isto estar a ser possível. Amigos, público, fãs, têm sido do melhor mesmo. Continuem e apareçam -sempre mascarados! – que nós faremos o mesmo e pra Horde Zine, desejo uma continuidade em força, como o sabem fazer. Agradeço esta entrevista e, claro, espero que não a divulguem, pois está uma “cagada”!

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