Layout 1

VENOM
From The Very Depths
(Spinefarm Records / 2015)
http://www.venomslegions.com

Existem bandas que são peças fundamentais nesse grande puzzle universal que é a nossa vida e os VENOM são, para mim como para muitos outros, uma dessas bandas, um desses nomes incontornáveis que ajudou a erguer as paredes seguras do nosso mundo feito de Heavy Metal, que nos ajudou a suportar noites e dias de solidão no nosso quarto, enquanto serviu também de banda sonora para as nossas fantasias e para as nossas sessões de air guitar em cima da cama, enquanto berrávamos a plenos pulmões ‘Lay down your souls to the Gods Rock ‘n’ Roll!!’. Não acredito que existam muitas pessoas no mundo que não puxem pela sua melhor guitarra imaginária depois de ouvir temas como ‘Black Metal’, ‘Countess Bathory’ ou ‘Seven Gates of Hell’!

Mas tudo isto são temas de um importante passado e interessa-nos agora saber o que têm os VENOM do presente para nos oferecer, principalmente aos que, como eu, se têm mantido um pouco afastados das entregas da banda britânica, apenas riscando um pouco da superfície de cada um deles, desde os longíquos tempos de “Prime Evil”! A questão que se coloca é se os VENOM ainda conseguem excitar-nos da mesma forma que o faziam quando erámos adolescentes, se ainda existe algum tipo de encantamento na voz de Cronos ou se o tempo e a idade trouxeram consigo a estagnação e a passividade de subsistir à conta de um passado lendário e de uma reputação que se quer manter eterna. Estas nunca são perguntas de resposta fácil.

No entanto, “From The Very Depths” consegue trazer consigo um pouco de tudo aquilo que foram os VENOM e do que são hoje em dia. O som característico e marcadamente atravessado pelo baixo sujo de Cronos está presente. As letras que nos tentam a provar o lado negro das coisas estão também aqui. Estão também os temas orelhudos que certamente vão ficar para o futuro e que, não duvido, vão passar a ser obrigatórios nos concertos da banda britânica. Entre momentos mais energéticos rápidos como ‘The Death of Rock ‘n’ Roll’, ‘Long Haired Punks’ ou ‘Grinding Teeth’ (um grande tema), há ainda lugar para outro tipo de registo com menos ataque e mais balanço como é o caso de ‘Stigmata Satanas’ ou ‘Mephistopheles’. Em qualquer um destes casos sente-se uma ligação ao legado em que se baseia a carreira desta banda, que consegue ainda assim conviver sem qualquer problema com outros registos menos comuns como ‘Smoke’ ou ‘Evil Law’, mas nunca perdendo a essência nem o carisma de uma instituição tão importante como são os VENOM e tudo o que representam.

[análise e texto: Rui Marujo]